Mas quem sou eu para dizer o que é possível e o que é impossível. Quando acaba, até um enforcamento é bonito. Digo isso e imediatamente surge a dúvida: existe algum alívio desnecessário? Mors tua vita mea. Não importa se permanecemos leais aos nossos fracassos ou satisfeitos com os nossos minúsculos heroísmos. Um dos períodos mais intensos da minha vida foi quando não quis fazer nada, não realizei nada. Todas as possibilidades, essas odaliscas que ajudam a concretizar os desejos, esfregavam seus véus no meu rosto e dançavam com fervor. Nessa vida não importa por qual porta você entre, a saída é a mesma para todos. Não é a mentira, é a verdade que é intolerável, sabemos todos. Douglas Kim.
Meu amigo, o poeta mestre Ivan Justen Santana, tem feito uma série de traduções das poesias do Bob Dylan. Há um mês e meio mais ou menos, pedi a versão de Desolation Row, uma das canções do Dylan que mais me comovem. Generosamente, Ivan colocou mãos à obra, e aqui está, não poderia ser mais perfeito. Lá no blog dele estão outros clássicos do rapsodo norte-americano. http://ossurtado.blogspot.com/.
.....Minha vida se dispersa continuamente. Como um rio que sai do leito e transborda sobre a terra. Então, tenho de abandonar muitas coisas e pensar no que é útil e bom. Só assim controlo as águas e as faço voltar ao seu leito. É como um pêndulo. Foi sempre assim. Já me acostumei a viver com essas inundações que arrasam tudo, e depois a calma, o controle, a solidão, o silêncio. É como uma longa aprendizagem. Infinita. Desconfio que nunca se concluirá. Pedro Juan Gutiérrez.
.....O amor é uma espécie de preconceito. A gente ama o que precisa, ama o que faz a gente se sentir bem, ama o que é conveniente. Como pode dizer que ama uma pessoa quando há dez mil outras no mundo que você amaria mais se conhecesse? Mas a gente nunca conhece.