quinta-feira, 10 de março de 2011

Olha aí
Estréia de O BUTÔ DO MICK JAGGER
no Festival de Curitiba
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segunda-feira, 7 de março de 2011

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Teatro

tem que ser bonito
plástico estético
tem que ser profissa
muito ético e técnico

tem que ter paixão
tem que ver verdade
tem que ter talento
e muita intensidade

tem que ter conforto
conteúdo nos conformes
não tem tempo morto
nas pausas enormes

ter ou não ter trama
os gregos vem primeiro
tem que fazer fama
tem que dar dinheiro

mas por ora
vai fazendo por amor
e o ator
não pode representar

quinta-feira, 3 de março de 2011

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Cine Luz

o amor é lindo
lindo lindo e sempre
vamos sozinhos um
dentro do amor do outro

e o amor é tudo
tudo tudo duas solidões
dividindo o mesmo
guarda-chuva em
direção a um filme
francês no Cine Luz

e o amor salva
salva salva compondo
músicas redentoras
para ouvirmos quando
estivermos deitados

e de algum modo
haverá detritos detritos
detritos no colchão
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este poema também foi belamente musicado pelo Troy Rossilho

quarta-feira, 2 de março de 2011

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Inimaginável

um dia vou me perder
eu vou entrar fundo
vou atravessar a fronteira
mais escura do mundo

um abismo nublado pode estar
tramando algo inimaginável

eu vou fazer turismo
dentro do próprio organismo
vou me aventurar no meu centro
não posso fugir de mim
se só tenho saídas pra dentro
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meu parceiro Troy Rossilho musicou este poema

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

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Invenção de S

Como é S? Como você gostaria que fosse? Como eu acredito que ela deva ser? E como é que S gostaria de ser? É daquelas que nas ruas e supermercados encara os homens? Não. Ou somente com discrição. Mantêm na maioria das vezes os olhos baixos. E tem um profundíssimo olhar de peixe de recônditas águas frias, de túneis de neblinas densas, de silêncio sentimental olvidado em si mesmo. Porém os homens miram a todo momento a silhueta de S. Só aqueles que procuram mulheres não vulgares. S não é das que chacoalham as ancas às insinuações e assobios, galanteios e frases de efeito para popozudas de plantão. Ô lá em casa, se você quer saber, é um exemplo de tais frases, entusiasticamente utilizadas por pedreiros (não exatamente os que trabalham em construções, mas até mesmo, entre muitos, homens ricos, porém de espírito, digamos, tosco, assim como entregadores de panfletos, taxistas e motoristas em geral, etc). mas com S tudo é diferente, ela se guarda, não com recato, senão porque há alguma vocação em S para a sabedoria. Invento eu suas vocações. Invento se é sábia ou não. Invento, sem pudores, uma S semelhante à musa que era tão cheia de pudor que vivia nua. Desenho S com tintas humanas. Não, é S quem me desenha. Envio S para longe? Ou ela é que permanece em mim lá onde sou estanque, sangue coagulado? S não é alta, se você quer saber. Deduzo que estudou balé clássico em remota época do colegial, dada sua postura retilínea. S tem maçãs no rosto, não avermelhadas, em verdade, um tanto pálidas. O rosto é bem desenhado, boa geometria. O seu narizinho é quase implicante. Alguma semelhança com Dorothy Parker na flor ferida de sua beleza. É um nariz levemente arrebitado, pequenino. Narinas que lançam pouco ar para fora. Os lábios são menos que grossos, mais que finos, mais que asiáticos, menos que africanos. E a voz de S? Turva, soprada, diria, nem grave nem aguda. É uma espécie de voz recém amanhecida. S fuma? Fuma. Socialmente. E quando é acometida por stress, quando se sente pressionada ou acuada. É elegante o modo como fuma. Os lábios, a maneira como contornam o cilindro queimando. Não há nada de pornográfico em S fumando. Erótico, talvez. Sensual, sem dúvida, mas ainda assim respeitando as particularidades de sua timidez e da meiguice. S executa ações de esmagar o toco no cinzeiro, de soltar para cima a nuvem de fumaça, como fossem acontecimentos displicentes quando intimamente foram estudados. S abre vez ou outra a bolsa pequena e preta, sem alça e de coro, e tira de dentro um tablete de Halls Preto, e mastiga a bala como nalgum piquenique à belle époque. S é aquela espécie de mulher que de uma hora para outra te crava os dentes na goela quando você menos espera. Assim é que prova sua mordedura saudável, com três ou seis obturações em dentes que um dia chegaram a doer bastante. E é agradável vê-la comer. S tem têmporas adocicadas, bem delineadas pela parceria com a curva do cabelo negro, cortado algo próximo, porém mais moderno, do estilo Chanel, estrategicamente bagunçado. Assim mantenho o pescoço de S revelado. As costas são lisas, mas com algumas pintas, menores e maiores, porém sem nenhuma mancha. Que magníficas costas, eretas, simétricas. Paralelas são suas omoplatas. À orla de sua cintura há carnes apalpáveis, conhecidas graciosamente por pneuzinhos. E os seios? Túrgidos. Nem um pouco afobados dentro do soutienzinho. Talvez eu exagere em relação ao soutienzinho, afinal não são mínimas azeitonas os seios de S. Bolinhas de tênis, talvez, levemente derretidas em fogo brando, e açucarados, delicatessen. Aliás, não são seios, são peitos, peitinhos de medida e envergadura beirando a perfeição. E o que mais? S não é radiosa, não obstante, o que há de opaco nela é, justo, o que provoca fascínio. Tem ossos leves, e uma pele sem excesso de colágeno. O Paraíso é uma fragrância. Sempre cheirosa é a minha S, com a lavanda que casa perfeitamente em seu suor nem tanto salgado. S não é de usar vestimentas pesadas, de difícil despir. La Maja Desnuda, sempre veste jeans da marca Levi´s, com suas misturas de índigo e lycra. Blusinha de algodão e casaquinho de lã por sobre o ombro em caso de sereno. E lá na extremidade inferior de seu corpo, envolvendo pezinhos que são folhas sem peso, S calça indefectíveis sapatilhas. Ops, cuidado com a poça d´água.

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

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Estripulia

dele não se diz feio é mais complexo
contraditório exótico seu recheio não
orna nada com nada não é lógico
precisa não o que adorne tem o raro
na forma o sarro no biótipo precisa
não melancia no pescoço nem
rezar pai nosso comprar consórcio ou
consultar i-ching ou vestir
piercing tem cara de pato pés
tortos sem botinha ortopédica vai
no caminho certo um corpo
de porco e é o mais fofo o bumbum
ele empina o esperto do rabinho chato prático
para cavar perto d´água botar ovos é bom
de briga ruim de ginga de apostar corrida
perna de pau em partidas de futebol de
preguiça tem colesterol lá também
um tantinho de espinhas na cara problema
nas narinas necessita otorrinolaringologista
o estrambólico da turma ainda
é o que éramos noutra era apesar
de tudo nele não se vê choramingo
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O demônio come merda
mas tem um sorriso límpido