na época em que fui um
maldito iconoclastinha
era bem comum algumas
pessoas viverem me assassinando
quantas vezes de mim só
restou a cabeça decapitada
rolando na sarjeta
mas aí, cada vez que alguém se
aproximava para sentir pena
asco ou alívio, mesmo em
meus estertores, feito um
pinscher, ainda tinha forças para
agarrar tornozelos, canelas
calcanhares, panturrilhas
e reiniciar o já perdido combate
quinta-feira, 10 de setembro de 2009
canções que afagam condenados
.
Tem que acontecer
.
.
Não fui eu nem Deus
Não foi você nem foi ninguém
Tudo o que se ganha nessa vida
É pra perder
Tem que acontecer, tem que ser assim
Nada permanece inalterado até o fim
Se ninguém tem culpa
Não se tem condenação
Se o que ficou do grande amor
É solidão
Se um vai perder
Outro vai ganhar
É assim que eu vejo a vida
E ninguém vai mudar
.
Eu daria tudo
Pra não ver você cansada (zangada)
Pra não ver você calada (cansada)
Pra não ver você chateada
Cara de desesperada
Mas não posso fazer nada
Não sou Deus nem sou Senhor
.
Eu daria tudo
Pra não ver você chumbada
Pra não ver você baleada
Pra não ver você arriada
A mulher abandonada
Mas não posso fazer nada
Eu sou (sou só) um compositor popular
.
Não foi você nem foi ninguém
Tudo o que se ganha nessa vida
É pra perder
Tem que acontecer, tem que ser assim
Nada permanece inalterado até o fim
Se ninguém tem culpa
Não se tem condenação
Se o que ficou do grande amor
É solidão
Se um vai perder
Outro vai ganhar
É assim que eu vejo a vida
E ninguém vai mudar
.
Eu daria tudo
Pra não ver você cansada (zangada)
Pra não ver você calada (cansada)
Pra não ver você chateada
Cara de desesperada
Mas não posso fazer nada
Não sou Deus nem sou Senhor
.
Eu daria tudo
Pra não ver você chumbada
Pra não ver você baleada
Pra não ver você arriada
A mulher abandonada
Mas não posso fazer nada
Eu sou (sou só) um compositor popular
.
Sérgio Sampaio
quarta-feira, 9 de setembro de 2009
terça-feira, 8 de setembro de 2009
abraço fraterno
Gilson Fukushima e Luiz Felipe Leprevost,
fotografados por Phillip França
. Sempre bom estar entre amigos. Essa fotografia foi tirada em frente ao Teatro Paiol, 13 de agosto, na noite em que Francinha lançou o cd Música de Apartamento.
.
.
Confira: Mercadoramama (Octávio Camargo, Troy Rossilho, Alexandre França e Luiz Felipe Leprevost), uma das coisinhas mais direitas que já compusemos.
notas para um livro bonito
estou sentado aqui onde
estou sentado por horas a fio
continuo escrevendo já que o fogo
não acabou de comer minhas mãos
sim, escrevo à mão... com as duas
e mais com as mãos do que com o coração
e mais com ele do que com o cérebro
o fogo é assim, come o que vale ser comido
come o que quer e o que não necessita
nada pesa em seu estômago azul
a escuridão mastigada é
sua melhor amiga, é ela quem
o ajuda a modelar as chamas nervosas
a uma película que escureceu
dizemos se tratar de um “filme queimado”
um filme queimado, eis o meu final de tarde
segunda-feira, 7 de setembro de 2009
notas para um livro bonito
a paciência foi
inventada para isso
para que deixemos a
natureza agir
a fruta já caiu do pé
agora é esperar
apodrecer
inventada para isso
para que deixemos a
natureza agir
a fruta já caiu do pé
agora é esperar
apodrecer
domingo, 6 de setembro de 2009
o pão brutal de ontem
OcaraqueteamaVivo dizendo pra mim mesma: Cecília, ele é Ocaraqueteama. Ele se chama Ocaraqueteama. Ele mora na rua Ocaraqueteama. Ele recita versos que dizem exatamente isso: Ocaraqueteama. E ele tem muita saudade e não sabe quando um dia vem pra Curitiba novamente, pois o medo o paralisou. Ele tinha vontade de estar num lugar como aquele do filme Na natureza selvagem, mas até hoje ainda não compreendeu que a solidão é sua melhor amiga, ele tem o maior cagaço da solidão. Ocaraqueteama tá casado com a solidão. E Na natureza Selvagem ajudou a abatê-lo ainda mais. Ele quer fugir, mas aonde vai a solidão o acompanha, por isso mesmo, nunca tá sozinho. Ele não suporta mais as mesmas pessoas, as mesmas rodas. Ocaraqueteama tem vontade de ir pra algum lugar bem longe. E você é a única pessoa que ele adoraria levar com ele. É o que eu falo pra mim. Mas aí logo me desminto. Eu sei que tudo isso é uma crença burra, e que todas as crenças são burras, e que a crença que diz “a esperança é a última que morre” é a mais burra de todas as crenças. Então disco um número, o telefone do Caraquemeama. Disco, deixo tocar três vezes, ele atende. Não respondo nada aqui do outro lado da linha, apenas penso: Ele não vai me escutar chorando as pitangas. Então desligo o fone na sua cara, interrompendo o seu "alô quem é?" Sim, eu tava prestes a dizer: Entenda, idiota, entenda de uma vez por todas, ninguém tá interessado numa mulher que não se exalta. E eu queria dizer isso de um maneira bem exaltada, queria dizer isso gritado assim: Entenda, Idiotaquemeama, entenda, ninguém tá interessado numa mulher que não se exalta! Mas pra que gritar, Cecília? Pra quê, se Ocaraqueteama não pode tirar radiografias dos teus dentes, do teu fêmur. Pra quê? Se Ocaraqueteama só se interessa por tua fala embargada, por tua humilhação de bêbada, de secadora de garrafa de gim. Ocaraqueteama, Cecília, é um cuzão de merda, um pau no cu do caralho. Ele sabe que você foi até o fim de centenas delas, você foi até lá e não encontrou a porra dos colibris que ele jurou morarem no fundo das garrafas.
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