sábado, 7 de novembro de 2009

pomplamoose

Pomplamoose http://www.myspace.com/pomplamoosemusic, coisinha mais direita que encontrei no blog da minha querida Bruna Beber http://didimocolizemos.wordpress.com/

alaranjado das pombas

Estripulia

dele não se diz feio, porém complexo
contraditório, exótico
seu recheio não orna nada com nada
nem é lógico
precisa não o que adorne
porque tem o raro na forma e
o sarro no biótipo
precisa não melancia no pescoço
não rezar Pai Nosso
não comprar consórcio ou
consultar I-ching
ou vestir piercing
tem a cara de pato
pata sem botinha ortopédica
pés tortos
porém, torto, vai no caminho certo
mesmo com tronco de corpo de
porco ele é o mais fofo
e o fofo o bumbum não empina
ele é o esperto do rabinho chato
prático para cavar perto da
água, para botar os ovos
é mesmo esquisito
quando chega com afinco, finca-se.
é bom de briga, ruim de ginga
ruim de apostar corrida
perna de pau para partidas de futebol
gorduchinho de tanta preguiça
o colesterol lá no alto
tem um tantinho de espinhas
e um probleminha nas narinas
necessitará logo de um otorrinolaringologista
agora está com mania de artista
quer ficar erudito
ser rico de intelecto
o estrambólico da turma
é ainda o que era em outra era
sem choro ou choramingo
carrega em si três bichinhos
três em um, quem me dera
é bonito, Estripulia, o ornitorrinco?

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

alaranjado das pombas

Cru

a carne vermelha como que o
enojava, de modo que
alimentava-se com grãos de
afeto apenas, os mais variados
assim, jamais deglutiu um
amor inteiro, cru, sangrento
lutando feito a jibóia e o
boi dentro de sua bocarra úmida

alaranjado das pombas

Alaranjado das pombas

é claro que o doutor está atrasado
da janela do consultório avisto a
revoada de pombas laranjas
que ocupação a das pombas: cagar a
paz em nossas cabeças
estou aqui há horas
quem sabe há séculos
com toda essa aparelhagem que
me ajuda a respirar e
mais parece um equipamento de mergulho
se o doutor demorar mais
cinco minutos para me atender
juro que mergulho no alaranjado das pombas

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

o seminarista - rubem fonseca

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

fragmento da minha novela a neve não tem gosto de algodão doce

..........Ao acaso, encontrei com Eldorado uma segunda vez na fila do Circo Voador.
..........Pode me chamar de ÉL, não tolero formalidades, me disse.
..........Sempre que eu estava no Circo por livre associação chegavam-me à mente imagens do globo da morte com suas motocicletas velozes e barulhentas. O show da noite era com Tom Zé. Chovia. Àquela altura eu já tinha bebido todas no Arco-íris e fumado pelo menos uns dois baseados, então quando fechava os olhos Tom Zé virava um motoqueiro alucinado. O som da banda era o motor das motos. Eu suava.
..........Espremido no meio da multidão, dividi um novo baseado com ÉL, enquanto sons e luzes explodiam entre intervalos de segundos. Tom Zé detonava versos clássicos como “a Brigitte Bardot está ficando velha.”
..........Revezávamos, ele buscava cervejas no bar, depois era minha vez de trazer caipirinhas. Viramos bons amigos naquela noite. Da outra vez no Hospital eu tinha reparado que ÉL era todo ele mãos e braços que gesticulavam feito pipas que combatem no céu dos subúrbios, montado em seus um metro e oitenta de altura. Um coroa de cabelos grisalhos um pouco longos e cuidadosamente desleixados.
..........Depois daquele noite passamos a conviver quase diariamente. ÉL era bastante vivaz e enfático. Seus 60 anos de idade não lhe pesavam no corpo, à exceção dos óculos de grau, mas que usava apenas quando queria conferir a conta nos restaurantes, ou ler para mim o trecho de algum livro que o tivesse comovido. ÉL estava com a vida ganha. Definia-se como um andarilho urbano.
..........Ao fim do show, a chuva contribuiu com a gente. Diminuiu até se tornar apenas um bafo gelado. Na saída do Circo paramos para um “espetinho de carnes nobres”, segundo o vendedor, que mais tarde me fez vomitar uma a uma as canções do baiano.
..........Agora ÉL, que costumava andar pela cidade de calça de pijama e tênis, o excêntrico que ficou viúvo porque a esposa sofreu uma overdose na década de 80, era um amigo com quem pude contar inúmeras vezes. Ele realmente não me deixava abater. E essas linhas difíceis são muito também minha homenagem a ele.

terça-feira, 3 de novembro de 2009

notas para um livro bonito

Foto de Juliana Zardo
a idade é uma
filha que eu tenho
.
e a manhã seguinte
sempre essa insistência
de ressurreição