sábado, 30 de outubro de 2010

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Arte Simon Schubert.

Para dentro de um livro em branco
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ter sido corajoso para não partir
forte para não voltar
sábio para não me arrepender
ter bebibo mais suco de melancia
usado melhor as mãos os braços
os lábios a bochecha antes
de presenciar morrer o que amei
ter visto toda a filmografia do Kurosawa
e ido mais à praia – não devia ter abandonado o surfe
e estudado mais
dito mais sins às oportunidades de trabalho
e dado um jeito de estar perto de quem precisava estar perto
ter viajado para a Europa
me empenhado mais em levar meus textos ao palco
talvez escrito um livro chamado
Requiém para um frango à passarinho
ou Uma história de esquartejamento e deglutição
e ter aprendido xadrez
praticado budismo
ensaiado a valer minha orquestra de beijos
usado mais vezes sem pudores o banheiro feminino
ter ficado mais tempo em silêncio abraçado
com a garota que foi minha e eu fui dela
e ter cantado para ela orações apenas com os olhos
e ter pensado o impensável
e dito mais palavras amenas simples diretas
sobre meus sentimentos – especialmente aos meus pais
e lido O homem que calculava
e aprendido a ganhar dinheiro
e ter visto Kazuo Ohno ao vivo
cruzado a cidade mais vezes à pé nas madrugadas de primavera
e largado tudo para trabalhar como cuidador de cavalos
numa fazenda texana
ou então, ao menos uma vez, experimentado o diabo no sangue
seguido de exorcismo seguido de entidades
ponteando violões que curam nossa existencia
e ter casado aos 17
com minha namorada cinco anos mais velha, sacerdotisa do fogo
ou estar partindo agora para uma aventura
para dentro de um livro em branco

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Sexta-Feira que vem (05 de novembro) essa banda boa pra caralho do Rio de Janeiro tocará no Wonka. E eu vou abrir pra eles a noite com minhas canções mais berradas e foda-se. Quem quiser conferir um pouco o trampo deles vai aqui: http://www.myspace.com/osoutros. Ou aqui: http://www.youtube.com/watch?v=9Pewg8cYmcI.
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segunda-feira, 25 de outubro de 2010

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arte de Enéas Lour
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(nunca consigo postar com um tamanho maior)

domingo, 24 de outubro de 2010

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LF Leprevost e Thiago Chavez no Wonka Bar, em 20/10/2010
por Olívia D´Agnoluzzo
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Matéria que saiu nesse domingo, 24 de outubro, no caderno Almanaque, do impresso O Estado do Paraná e também online. Agradeço a jornalista Paula Melech, sempre atenta e carinhosa com os artistas da cidade.
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Ao som da música curitibana
por Paula Melech
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Luiz Felipe Leprevost e Thiago Chaves gostam de encontros. Se for naquele esquema de festa cheia de amigos, melhor ainda. Essa característica comum foi o que levou o primeiro, poeta, músico e dramaturgo a topar com o segundo, músico e compositor. No momento em que os interesses se encontravam, apareciam os primeiros sinais do que se tornaria uma parceria.
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Thiago relembra o momento: “Ele me passou uma letra pra musicar e percebemos que a harmonia acontecia”. A canção, Sonâmbulo, conta a história de um cara que está enfrentando mal a relação com o universo underground. A “letra triste”, conta Leprevost, é consequência do modo como o clima do inverno reverberava dentro deles. A temperatura refletiu, pontualmente, nas composições produzidas a quatro mãos e que, agora estão prontas para serem ouvidas.
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Este é um momento que aflige a maioria dos músicos que desenvolvem trabalhos autorais em Curitiba: afinal, onde tocar? O Wonka Bar, na Rua Trajano Reis, é um desses lugares onde o foco está na qualidade musical, privilegiando artistas da cidade. Há cinco anos, o endereço, no bairro São Francisco, reúne músicos, escritores poetas, atores e público em torno de uma mesma vontade.
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Interessada no potencial dos artistas da cidade, a proprietária Ieda Godoy abriu as portas do Wonka com a disposição de tornar o endereço um reduto de produção cultural de qualidade. “Desde que abri o bar [em 2005], penso nessa característica, muitas pessoas começaram apresentando seus trabalhos lá”. Ela cita como exemplos o grupo Molungo, Troy Rossilho, Alexandre França, Leo Fressato e o próprio Leprevost. Copacabana Club e Bonde do Rolê são outras bandas que sempre aparecem.
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Apostar na produção cultural de Curitiba não é uma novidade, mas a apuração de um universo já conhecido por Ieda - dona do antigo Bar Dromedário (fechado em 2002). “O curitibano sempre teve essa coisa de não se valorizar, mas agora está se olhando com mais carinho para o trabalho das pessoas. Isso é lindo. É muito emocionante ver esse respeito pelo artista, essa comunhão com o público”.
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O sucesso das noites é efeito do criterioso processo de curadoria a que a proprietária se dedica. “Sempre que tem algum trabalho próprio eu me interesso em conhecer. Tenho alguns critérios para selecionar e fico felicíssima quando vejo as coisas acontecerem”. Ela cita como exemplos o Copacabana Club e o Bonde do Rolê, bandas que se criaram dentro do Wonka e hoje ganharam o País.
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No palco
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O show iria começar às 23 horas, mas às 19 horas Leprevost e Thiago já ensaiavam o trabalho que foi apresentado na última noite de quarta-feira no projeto Homens de ferro. Um intervalo foi o tempo necessário para o papo se dirigir aos espaços que tornam possível esse trabalho.
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Thiago ressalta que em lugares assim a música é expressão artística e não somente entretenimento. “Queremos mostrar o movimento. Os compositores necessitam desses espaços, onde não precisam de editais para tocar a sua música”. Leprevost completa: “Tem uma grande rede de pessoas conectadas na produção artística. A demanda existe. Queremos dialogar com a platéia com o interesse mútuo de expansão dos sentidos por meio da arte”.
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Essa rede que interliga os artistas da cidade certamente contribui com a disseminação da música partindo do desejo de expressão autêntica. Em sintonia de pensamento e vontades, os parceiros Uyara Torrente (A Banda Mais Bonita da Cidade) e Raphael Moraes (Nuvens) foram convidados a incrementar o show no porão do Wonka.
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O repertório, inspirado pelo inverno, desenhou um clima favorável às letras mais melancólicas, incluindo as três inéditas Pó pó pó; Mimimi e Assobiando apelo. A primeira, com letra e música de Leprevost, é um pequeno poema declamado com o violão no colo. Mimimi, uma parceria com Rodrigo Lemos e Ligia Oliveira, emergiu em um desses encontros, sublinha Leprevost, onde em “90% dos casos surgem canções”. Já Assobiando apelo é uma letra escrita há tempos que ganhou agora o acompanhamento da guitarra de Thiago. “É a história de um cara que está triste e as pessoas passam a não notá-lo mais. Ele foi se apagando e assobia essa melodia”, explica o autor.

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O estilo cru tem muitas variações 4
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Sempre precisei passar longos tempos sozinho, protegendo-me um pouco do mundo. A biblioteca da escola era um ótimo lugar para isso. Hoje, porém, gosto de presenciar a balburdia da cidade. A urbe é fundamental para composição e a voz interna de meus textos. Cafés, bares, ruas, lugares são salas de estudo. Gosto de escrever a mão, então não tenho problema em trabalhar fora de casa. Procuro me manter num estado de latência criativa. E é claro que em algum momento preciso me trancar para burilar as anotações, alçá-las a um nível mais complexo da experiência artística. As ruas podem fazer com que você perca o foco, a concentração. O desequilíbrio, as oscilações de humor, os acontecimentos inesperados só serão produtivos se você tiver um cantinho calmo e silencioso para retornar quando se vir farto, esgotado.
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Os cafés são bons lugares para escritores. Às vezes roubo frases da mesa ao lado. Trabalho valorizando uma dor de cabeça cujo motivo não sei qual é e que me ajuda a pensar de um modo torto. Idéias pululam de vez em quando, noutras ocasiões elas somem por longos períodos. Mas sou apegado mesmo à ação. Sento e escrevo, pratico. Assim desenvolvo as idéias. Agir me faz pensar.
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Duvido de quem diz “não escrevo porque não tenho o que dizer, quando tiver, escreverei”. Acontece que se você não escreve, não vai ficar sabendo se tem mesmo algo a dizer ou não. Permanecer no universo da idealização é estar pré-morto. É preciso enfrentar-se. Responder ao medo, com ênfase, como ensina Carlos Drummond ao dizer, se bem me recordo, que tristes são as coisas feitas sem ênfase.
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Daí vai que o corpo é o começo do meu texto. Meu trabalho é absolutamente artesanal. Os livros só chegam bem depois. Não escolho o livro antes de iniciar anotações num caderninho Tilibra. Nunca sei o que será. Não posso dizer que não planejo, pois apesar de tudo, a literatura é uma atividade intelectual. Então há esse diálogo entre o instinto e racionalidade. Há muita racionalidade, é inegável, porque a própria capacidade técnica de se escrever vem de uma espécie de adestramento (a palavra não é exata), tem entre seus fundamentos a alfabetização. Tal instrução liberta, é altamente desejável. As técnicas devem ser dominadas para que as esqueçamos depois, permitindo que o inconsciente aflore. Viver nesse lugar de tensão entre esses dois pólos (instinto e técnica) possibilita que o desconhecido que habita em nós venha ser parte do produzimos.
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Há vezes em que traço objetivamente a composição de uma série de textos. Definido o que desejo como eu fosse um projetista. Mas logo que inicio o trabalho, imediatamente me cobro a liberdade. Então endereço os textos, faço isso, crio para alguém, para o mundo, por amor, por vingança, por política, por ternura, por revolta, por desespero, por orgulho, não importa. Vale que assim eu me implico. Não tenho medo de me machucar quando estou criando.
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Depois desse ímpeto inicial, sou capaz de trabalhar o mesmo parágrafo durante a semana inteira. Promovendo inúmeras variações de sua estrutura, invertendo o sentido, retirando de uma frase todas as palavras que a natureza não exige, como li recentemente num belo livro de Gonçalo M. Tavares. Tudo isso me esgota. Porem me importa ter forças para podar arestas – a poda fortalece os galhos. Para mim é muitíssimo trabalhoso deixar de ser prolixo.
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É importante salientar que tudo isso está num plano ideal que vivo perseguindo. Mas o escritor é tão falível quanto qualquer outro ser humano. E é nesse ponto que quanto mais me enfrento, mais a criação se impõe – eu me nego, me inverto, minto. Só assim posso ser tão sincero quanto preciso. Só assim quem ler o que escrevi com tal verdade poderá duvidar de que aquilo não é ficção. Eu desejo que os leitores esqueçam que estão lendo algo ficcional. O que lêem é a vida mesma. É assim que sinto quando me deparo com a obra de um grande autor. Não estou querendo me comparar, mas acredito que os artistas não podem querer pouco. Não querer pouco é muito o nosso ofício. É por causa dessa tensão entre a verdade do escritor e sua criação formal que a literatura se dá em estado de revelação. A epifania agora é do leitor. É ele quem, em última instância, possibilita a existência das personagens, seus deslocamentos, as trajetórias da linguagem.

sábado, 23 de outubro de 2010

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O estilo cru tem muitas variaçãoes 3
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A literatura, embora não tenha me trazido dinheiro ao bolso, deu-me algo que posso chamar de angustiada felicidade, e calos na mão. Na angustia só há perguntas sem respostas. Na felicidade, por estarmos plenos, perguntas não há. Quando um sofrimento de difícil explicação surge e com ele perturbações sem limites, posso optar em escrever ou não, mas sei que escrever é o principal modo de se especular a existência humana. Ou posso esperar apenas. Pacientemente esperar. A espera, a reflexão, o estado ponderado produz sabedoria. No entanto, se só espera e não põe mãos à obra, o sábio não escreve nada. Assim, o que adianta ser sábio? Fique claro que estou me referindo à literatura, já que é possível haver sábios por aí que, inclusive, pode que sejam analfabetos. Agora, escrever, que é uma das mais íntimas pesquisas humanas... Escrever, que é como entrar num laboratório afetivo e recombinar uma série de poções explosivas... Bem, escrever nada responde, e assim pode ou não produzir sábios. Muita vez produz apenas escritores, e quem sabe isso baste. E nisso vai o paradoxo. Será possível um escritor sem sabedoria? O que posso afirmar? Comigo funciona assim, por mais que escave, vasculhe o que não compreendo, ao escrever machuco bem mais o punho.
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Se em meus textos abro algo da minha intimidade é porque (é óbvio assim) não estou salvo. Então faço uma pausa ao escrever isto e coloco as mãos no rosto. Lambo a pele grossa da palma com a língua e (de certo modo) é uma ferida o que lambo. Imolo a pele que descreve aquilo que já não sou mais. Escrevo porque embora estejamos acostumados a chorar pelos olhos, as mãos também choram.
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Estou sentado aqui por horas a fio. Continuo escrevendo já que o fogo não acabou de comer minhas mãos. Sim, escrevo à mão... com as duas. E mais com as mãos do que com o coração. E mais com ele do que com o cérebro. O fogo é assim, não escolhe, come o máximo que consegue, mesmo o que não necessita. O fogo não distingue se isso ou aquilo vale ou não ser comido. Nada pesa em seu estômago azul. A escuridão mastigada é sua melhor amiga, é ela quem o ajuda a modelar as chamas nervosas. A uma película que escureceu dizemos se tratar de um filme queimado. Películas que enquanto registram imagens as vão devorando, eis o que estou produzindo aqui.

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

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O estilo cru tem muitas variações 2
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Não decidi. Quando vi era isto, alguém debruçado sobre um punhado de papéis. Neguei por algum tempo. A escrita não é um mar de rosas. A exigência me machuca muito. Mas é um regozijo ver um conto, um poema prontos.
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Sempre achei clichê dizer que se escreve por que não se tem opção. Acho que poderia ser qualquer coisa, mas seria um completo incompetente. Na literatura não me considero incompetente, então talvez esteja no lugar certo. A arte não é um lugar seguro, é verdade, certezas não cabem nela. No mais, você se sente o pior do mundo com frequência, mas pelo menos desconfia que esteja fazendo exatamente aquilo que veio fazer na vida. Mesmo se eu não acreditasse no que escrevo, teria que continuar escrevendo. Então eu sigo, sem perguntar demais.
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Sabe, teve o dia em que compus uma redação que contava minha estória de amor com uma pequena do colégio. Resultou no primeiro 10 que tirei na vida (e foram poucos). Assim, tanto a redação quanto o amor me pareceram algo que continham algum valor. Passei a escrever poemas. Entendi que o invisível que está entre as pessoas, pode que falam mais sobre elas do que as impressões e julgamentos que fazemos. O impossível, o imponderável é que são matéria da literatura, por isso ela não se esgota. É como diz Henry Miller (cito de cabeça): é preciso injetar sangue nos fantasmas.
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Veja, a literatura cobra de você uma coisa que pode ser assustadora: a solidão. Sem solidão não há produção literária. Ninguém se transforma num García Márquez da noite para o dia. Parece-me que a maior dificuldade que um escritor pode enfrentar é a de dar consequência, continuidade à obra.