terça-feira, 9 de junho de 2009

thomas markus dhaese

Mais cicatrizes

Dr., o sr. acha q alguém como eu é normal? Eu já fiz mais de 25 cortes no braço, deixei o sangue escorrer num copo e bebi (mostrando as cicatrizes). Dr., já me enchi de álcool e taquei fogo em mim mesmo (mais cicatrizes). Eu não posso ser normal, eu sou atormentado demais.
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Esses dias foi lá em casa um pastor. Eu tava deitado na minha cama. Ele entrou na minha casa e disse que sabia q tinha alguém naquela casa precisando de ajuda. Foi entrando e chegou no quarto. Minha mãe veio junto.

(Pastor) Eu vim para trazer a palavra de Deus. Eu falei: peraí! Peraí! E tirei o meu revolver e o meu punhal que tavam na cinta, botei em cima da mesa. E falei: agora pode começar. E recebi aquilo que ele falou, e me fez bem, fiquei calmo. Minha mãe chorou muito. Falou que eu nunca tinha recebido a palavra de Deus na minha vida.

Mas sei onde tudo começou. Eu frequentava um lugar de coisa ruim, ruim mesmo! Lugar onde frequenta Zé Pelintra, Exu Rola, não pode ser coisa boa, né!? Um dia eu resolvi que eu não queria ir mais naquele lugar, queria ir embora. Mas quando eu saí de lá me disseram: Daqui pra frente tudo vai dar errado na tua vida! E deu.

Quando eu saí de lá, minha vida virou esse inferno, eu fazia de tudo pra tar numa briga, nem q fosse pra apanhar. Eu gostava de apanhar, mas também gostava de bater, queria ver sangue. Entrava até em briga que não era minha. Fazia qualquer coisa. Já usei tudo que é droga. Já fui preso várias vezes. Já apanhei demais da polícia.

Agora eu tô mal. Minha mulher me expulsou de casa. Ela tá grávida. Eu já tenho dois filhos, um com cada mulher. Essa é outra ainda... Me dá alguma coisa pra me acalmar, por fravor. Eu tô muito nervoso.
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Saindo dali, saiu sem direção e foi atropelado na avenida. Mais cicatrizes.
Thomas Markus Dhaese

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